O Legislativo Municipal de Chapecó realizou nesta segunda-feira (22), no Plenário Rivadávia Scheffer, uma audiência pública para debater o sistema "Grid Zero" e as recentes alterações normativas relacionadas à geração de energia solar e à instalação de painéis fotovoltaicos. A iniciativa atende ao Requerimento nº 52/2026, de autoria do vereador Ivaldo Pizzinatto - Gringo (União Brasil), e tem como objetivo promover esclarecimentos técnicos e jurídicos sobre um tema que tem ganhado crescente relevância entre consumidores e investidores do setor energético.
A reunião foi conduzida pelo vereador proponente. Também compuseram a mesa de trabalho o gerente regional da Celesc em Chapecó, André Curtarelli, a gerente da divisão comercial da concessionária, engenheira eletricista Carla Becker e o promotor de justiça do Ministério Público de Santa Catarina em Chapecó, Alessandro Rodrigo Argenta. Ao iniciar a audiência, o vereador Gringo agradeceu a presença dos convidados e do público presente, destacou a importância do encontro e reforçou que a iniciativa surgiu de demandas recebidas de moradores e investidores. “Tenho recebido reclamações com relação a essas mudanças. O que é justo e importante é trazer aqui os responsáveis que representam a Celesc e o promotor de Justiça no município para tirar dúvidas e fornecer esclarecimentos sobre o assunto", relatou Gringo.
O que é o sistema "Grid Zero"?
O “Grid Zero” é um sistema de energia solar em que a energia gerada pelos painéis instalados no imóvel é consumida diretamente no local, sem enviar o excedente para a rede elétrica da concessionária. O objetivo é zerar a dependência da rede, fazendo com que o que se produz seja exatamente o que se consome.
Posicionamento das entidades convidadas
De acordo com o gerente regional da Celesc em Chapecó, André Rafael Curtarelli, o desafio não está na falta de investimentos da concessionária, mas no excesso de geração de energia em determinadas regiões. Segundo ele, é justamente nesse contexto que o sistema ganha força. "O Grid Zero surge para atender o cliente da forma como o sistema fotovoltaico foi originalmente pensado: eu gero e consumo" explicou. Curtarelli também esclareceu que quem já tinha projetos aprovados antes das mudanças regulatórias foi atendido normalmente. Para residências com consumo mais baixo, no entanto, existe o sistema Fast Track, que permite a instalação de geração própria sem bloqueios.
Representando o Ministério Público, o promotor de Justiça Alessandro Rodrigo Argenta destacou que o tema vai além de uma questão jurídica, ele se insere dentro de um contexto contratual, técnico e regulador extremamente complexo. "O trabalho do Ministério Público nessa questão está justamente na publicidade e na informação que é passada para o consumidor", esclareceu.
Para complementar as explicações técnicas, a gerente da divisão comercial da Celesc, Carla Becker, apresentou uma ferramenta disponibilizada pela concessionária para consulta pública. Segundo ela, o sistema chamado Hosting Capacity, disponível no site da Celesc, permite que qualquer pessoa verifique a disponibilidade de conexão à rede em sua localidade. "Nos casos mais centrais, tem capacidade de injeção. Nos casos mais do interior, a nossa rede já está supercarregada", explicou. Carla também detalhou as alternativas vigentes para quem deseja instalar geração solar nas regiões com rede saturada, entre elas o Grid Zero e o sistema Fast Track, voltado para residências e consumos mais baixos.
Encaminhamentos
As dúvidas apresentadas pela população durante a audiência foram respondidas pelos representantes. As demandas e propostas levantadas ao longo do encontro serão encaminhadas pela Câmara Municipal aos órgãos competentes. Contatos para dúvidas e esclarecimentos à Celesc com relação ao sistema: 0800 048 0120 e whatsapp (48) 9860-0067.