A apresentação do Protocolo de
Escuta Especializada na Rede de Proteção de Crianças e
Adolescentes vítimas ou testemunhas de violência foi destaque na
sessão ordinária desta terça-feira (15) na Câmara Municipal de
Chapecó. A visita do Comitê de Escuta Especializada, vinculado ao
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, ocorreu
por meio de requerimento da vereadora Ediane Aparecida Folle (PSD) e
reuniu representantes da rede de proteção e parlamentares para
tratar desse tema alarmante.
A coordenadora do Comitê,
Kethlin Carraro Momade, conduziu a apresentação e reforçou que o
protocolo é uma ferramenta construída de forma intersetorial. O
objetivo é padronizar os atendimentos, qualificar os profissionais
da rede e garantir um acolhimento humanizado às vítimas. “Chapecó
precisava de um protocolo que respeitasse a legislação, mas que
também considerasse a realidade local e os fluxos existentes. Essa
iniciativa representa um compromisso com a escuta ética e com a
proteção integral das crianças e adolescentes”,
destacou.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança
Pública de 2024 revelam que Chapecó ocupa a 12ª colocação
nacional entre as cidades com mais de 100 mil habitantes com maiores
taxas de violência sexual contra crianças e adolescentes, o que
reforça a necessidade urgente de ações estruturadas. “A
violência existe, muitas vezes está velada, e com a implementação
do protocolo, é natural que o número de denúncias aumente. Isso é
reflexo de um atendimento mais preparado e da confiança das vítimas
em buscar ajuda”, afirmou Kethlin.
Durante a sessão,
a vereadora Ediane Folle destacou sua experiência de mais de 25 anos
na linha de frente da assistência social e reconheceu os avanços
que o protocolo representa. “Estamos falando de um instrumento
que salva vidas. Ele organiza os encaminhamentos, capacita a rede e
dá às crianças a chance de serem ouvidas sem medo, com acolhimento
e respeito. É fundamental que a população conheça e
divulgue essa iniciativa”, disse.
A Escuta
Especializada é um procedimento previsto na Lei 13.431/2017,
regulamentada pelo Decreto 9.603/2018, e deve ser realizada de forma
protegida, respeitando o tempo, a linguagem e o contexto da criança
ou adolescente. O protocolo de Chapecó segue princípios como a
prioridade absoluta, o trabalho em rede e a não vitimização, com
fluxos bem definidos e revisão constante.
A sessão foi
realizada no Plenário Rivadávia Scheffer e está disponível na
íntegra no canal da Câmara no YouTube.
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Sessão com visita – https://www.youtube.com/live/VC9pAHgvdCA