Promotor de Justiça destaca desafios e avanços na proteção de crianças e adolescentes em Chapecó
O
trabalho da 16ª Promotoria de Justiça de Chapecó, os desafios na
proteção de crianças e adolescentes e a busca por melhorias no
atendimento à população foram temas da sessão com visita
realizada na tarde desta sexta-feira (23), na Câmara Municipal. O
promotor de Justiça Joaquim Torquato Luiz apresentou os resultados
do primeiro ano de atuação da unidade, que atualmente acompanha 253
procedimentos judiciais e extrajudiciais, e destacou as prioridades
de trabalho.
A visita foi proposta pelo vereador André
Pagnussat (Republicanos), por meio do Requerimento nº 111/2026, para
apresentar aos vereadores e à comunidade as atribuições, ações e
áreas de atuação da Promotoria. “Essa Promotoria tem um papel
fundamental na proteção da infância e da juventude da nossa
cidade, no acompanhamento das políticas públicas e na garantia dos
direitos das crianças e dos adolescentes. É importante conhecermos
esse trabalho e compreendermos como podemos contribuir”,
afirmou Pagnussat ao recepcionar o convidado.
Mais de
sete mil procedimentos passaram pela unidade
Criada
há um ano para dividir a elevada demanda relacionada à infância e
à juventude em Chapecó, a 16ª Promotoria assumiu áreas como
saúde, medidas de proteção, adoção, acolhimento institucional,
direitos da pessoa idosa e terceiro setor. A outra Promotoria com
atuação na área passou a concentrar os trabalhos relacionados a
atos infracionais e educação.
Ao apresentar o balanço,
Torquato Luiz informou que 7.140 procedimentos passaram pela 16ª
Promotoria no primeiro ano de funcionamento. Desse total de
movimentações, 253 procedimentos permanecem atualmente em
andamento, sendo 200 extrajudiciais.
“Apesar de
termos dividido essa demanda, o volume continua muito elevado”,
observou o promotor.
A atuação ocorre em estreita
articulação com a rede de proteção social, que inclui CRAS,
CREAS, CAPS, CAPSi e Conselhos Tutelares. Quando as situações de
vulnerabilidade exigem medidas adicionais, a Promotoria pode intervir
para assegurar os direitos dos envolvidos, conforme as
particularidades de cada caso. Entre as providências possíveis
estão o acolhimento institucional, as medidas judiciais de proteção
e os processos de adoção, sempre considerando a legislação e o
melhor interesse de crianças e adolescentes.
Acolhimento
e saúde são prioridades
Desde o início das
atividades, a Promotoria definiu duas frentes prioritárias: o
serviço de acolhimento institucional e o acesso de crianças e
adolescentes a atendimentos especializados de saúde. No acolhimento,
o trabalho envolve o acompanhamento de crianças e adolescentes
afastados de suas famílias por situações de risco. O atendimento
pode ocorrer em abrigo institucional, casa lar ou família
acolhedora, de acordo com as necessidades de cada caso.
Na
saúde, a unidade acompanha as dificuldades de acesso a serviços
como fonoaudiologia, terapia ocupacional, neuropediatria, psicologia
e reabilitação do desenvolvimento neuropsicomotor. O promotor
reconheceu os esforços da Administração Municipal para enfrentar a
demanda e destacou avanços no período, mencionando também
iniciativas para ampliar a capacidade de atendimento, como o concurso
público para contratação de fonoaudiólogos. “Os
números já foram piores. Tivemos evolução nesse período. A
Prefeitura não tem sido omissa e tem atuado para resolver esse
problema. Eu reconheço essa melhora, mas entendemos que ela precisa
acontecer um pouco mais rapidamente”, declarou.
Segundo
Torquato Luiz, a avaliação da Promotoria considera as providências
adotadas pelo Executivo e a evolução do cenário. Por esse motivo,
até o momento, não foi ajuizada nenhuma medida relacionada aos
atendimentos. O acompanhamento permanece, com atenção à
necessidade de ampliar o acesso da população aos
serviços.
Vereadores participam do debate
Durante
a sessão, os vereadores apresentaram questionamentos sobre as
demandas acompanhadas pelo Ministério Público, a estrutura da rede
de proteção e as alternativas para aprimorar os serviços
oferecidos à comunidade.
O debate também abordou a
estrutura dos Conselhos Tutelares. O promotor mencionou a previsão
de implantação de um terceiro conselho em Chapecó, medida que
poderá contribuir para ampliar a capacidade de atendimento diante
das necessidades do município.
A participação dos
parlamentares permitiu aprofundar a discussão sobre as
responsabilidades das instituições e a importância do
acompanhamento das políticas públicas, especialmente nas áreas que
envolvem a garantia de direitos fundamentais.
“O
Ministério Público não é um inimigo”
Ao encerrar
sua participação, Torquato Luiz reforçou que o papel do Ministério
Público não se limita à fiscalização. Segundo ele, a cooperação
entre os órgãos públicos e a sociedade é essencial para
identificar dificuldades e construir soluções. “A minha
presença aqui hoje é para deixar as portas abertas da 16ª
Promotoria para os senhores. O Ministério Público é um órgão
fiscalizador, mas não é um inimigo. Ao contrário, nossa postura é
ser um parceiro de toda a sociedade, capaz de identificar e
solucionar problemas”, afirmou.
O promotor também
destacou a importância da participação do Legislativo nesse
processo. “Para alcançar esses objetivos, tenho certeza de que
vocês, senhores vereadores, são essenciais”.
A
sessão com visita integra as ações da Câmara Municipal de Chapecó
voltadas à transparência, ao diálogo entre as instituições e ao
acompanhamento de assuntos de interesse público, fortalecendo a
interlocução entre o Legislativo e os órgãos responsáveis pela
garantia de direitos no município.







