Câmara Municipal realiza audiência pública sobre violência contra a mulher e o fortalecimento da rede de proteção
O Legislativo Municipal de Chapecó realizou nesta quinta-feira (27), no Plenário Rivadávia Scheffer, uma audiência pública para debater a violência contra a mulher e o fortalecimento da rede de proteção e enfrentamento no município.
PUBLICADO EM 27/08/2026 - 16:57

O Legislativo Municipal de Chapecó realizou nesta quinta-feira (27), no Plenário Rivadávia Scheffer, uma audiência pública para debater a violência contra a mulher e o fortalecimento da rede de proteção e enfrentamento no município. A iniciativa atendeu ao Requerimento nº 118/2026, de autoria da vereadora Caren Machado (PT), e teve como objetivo discutir as políticas públicas e os mecanismos de prevenção, acolhimento, proteção e responsabilização existentes, além de analisar os desafios enfrentados pelas vítimas de violência em Chapecó.

Participaram do encontro a delegada da DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) de Chapecó, Caroline Dias Boff; a defensora pública Micheli Andressa Alves; o secretário municipal da Família e Proteção Social de Chapecó, Walter Luciano Huning; a representante do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Chapecó, Rosângela Maria Huning; a representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Subseção Chapecó, Valdinéia de Brito; a representante do Instituto A Calha, Jéssica Laís Martinelli e e o coordenador da Rede Catarina de Proteção à Mulher, o 3º Sargento Marcelo Wunderwald. Também contribuíram com as discussões os vereadores Wilson Cidrão (NOVO) e Paulinho da Silva (PCdoB). 

A audiência foi conduzida pela vereadora proponente, Caren Machado. Ao abrir os trabalhos, a parlamentar agradeceu a presença dos convidados e do público e destacou a importância do debate para o enfrentamento à violência contra a mulher no município. "Sabemos que os dados sobre a violência em Chapecó são alarmantes. Por isso, a finalidade desta audiência pública é ouvir a população e as autoridades presentes para que, juntos, possamos fazer a diferença e ajudar as mulheres do nosso município", destacou.

Manifestações dos convidados

Durante a audiência, os convidados falaram sobre a realidade nas suas áreas de atuação, apresentaram os serviços disponíveis à população e apontaram os principais desafios no combate à violência contra a mulher no município. A defensora pública Micheli Andressa Alves abordou um tema que classificou como necessário e urgente: a violência política de gênero, agora também praticada no ambiente digital. Segundo ela, essa forma de violência recai sobre os corpos das mulheres e busca fragilizar a experiência da mulher na política. "Não é apenas uma variação do algoritmo. Trata-se de um método planejado e estruturado que se utiliza do ambiente digital para promover um regime de ameaça psicológica e física constante às mulheres, com o fim de expulsá-las da vida pública e do palco da política", explicou Micheli.

O 3º Sargento Marcelo Wunderwald, coordenador da Rede Catarina de Proteção à Mulher, apresentou o funcionamento do programa e as ferramentas de proteção às vítimas. Ele explicou que a Rede atua em parceria com diversas entidades para acolher, orientar e encaminhar vítimas de violência doméstica que chegam por meio das medidas protetivas, muitas vezes após passarem pela Polícia Militar e outros órgãos. Segundo Marcelo, desde 2016 a Rede Catarina já atendeu 22.168 mulheres com medida protetiva de urgência. Somente em 2026, 645 mulheres estão sob os cuidados da Rede e 278 visitas foram feitas pelas guarnições. "A primeira guarnição Maria da Penha do Estado de Santa Catarina, foi aqui em Chapecó, e só foi possível porque esta Casa Legislativa apoiou a Polícia Militar", afirmou.

A representante do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Chapecó, Rosângela Maria Huning, abordou o papel do órgão na formulação e no acompanhamento das políticas para as mulheres. "As funções que exercemos no Conselho são participar, propor, acompanhar, fiscalizar, cobrar e transformar, sempre olhando para a sociedade como um todo", explicou Rosângela.

O secretário municipal da Família e Proteção Social de Chapecó, Walter Luciano Huning, ressaltou que o primeiro apoio às vítimas de violência costuma vir de quem está próximo, antes mesmo da chegada dos serviços especializados. Ele destacou também algumas ações voltadas à valorização das mulheres, como um dia de autoestima e cuidado alinhado à campanha Agosto Lilás, além do investimento na formação e preparação dos profissionais da assistência social. "Sobre as equipes da assistência social, estamos trabalhando muito a formação e a preparação desses profissionais. Por isso hoje estou aqui, para ouvir e entender das pessoas o que a gente pode fazer na Secretaria da Família e Proteção Social para melhorar ainda mais o trabalho que estamos fazendo", finalizou o representando do Executivo.

Encaminhamentos

Ao final da audiência, foram apresentados os seguintes encaminhamentos:

    • Moção de apelo ao governador do Estado de Santa Catarina, Jorginho Mello para que as delegacias de proteção aos direitos das mulheres funcionem 24 horas por dia, sete dias por semana;

    • Criação de uma Comissão para pensar estratégias de enfrentamento, segurança e proteção às mulheres, além das já existentes;

    • Criação de um espaço ou programa municipal de orientação jurídica às vítimas;

    • Campanha de conscientização sobre os sinais de violência contra a mulher, considerando que há diversos tipos de violência que antecedem o feminicídio;

    • Ampliação da representação feminina nos conselhos das empresas, nos conselhos municipais e nos espaços de decisão;

    • Instituição de um dia de combate e conscientização voltado à saúde mental das mulheres.

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